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Padronize o processo seletivo entre unidades da rede

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Rede de nove clínicas, cargo de atendente igual nas nove unidades. Na unidade do centro, o gerente entrevista por áudio no WhatsApp. Na da zona sul, dinâmica de grupo com dez candidatos num sábado. Na do bairro novo, teste prático de quatro horas sem remuneração. Todos contratam bem, cada um ao seu modo. Aí a diretora pergunta ao RH a pergunta que ninguém consegue responder: por que o turnover de atendente da unidade 7 é o dobro da unidade 2, se o cargo é o mesmo? Na hora de padronizar o processo seletivo entre unidades, a rede descobre que não tinha processo: tinha nove jeitos de contratar.

O que cada unidade contratando do seu jeito custa

O custo aparece em três lugares. Primeiro na comparabilidade: sem critérios iguais, não existe responder por que uma unidade retém e a outra sangra. Turnover alto pode ser mercado, salário da região, gestão local, ou seleção ruim, e a rede sem processo comum não consegue distinguir as quatro causas, então não consegue agir em nenhuma.

Segundo na consistência da contratação: vaga igual com avaliação diferente significa que o candidato aprovado no bairro A seria reprovado no bairro B. A rede contrata, na prática, perfis diferentes para o mesmo cargo, e o treinamento paga a conta.

Terceiro no risco: quando a unidade que contrata por áudio faz uma escolha ruim, o processo inteiro foi uma conversa. O custo de uma contratação errada em cargo operacional, com rescisão, recontratação e treinamento de novo, já mapeamos em detalhe no post sobre custo de uma contratação errada.

A matriz crava o processo; a unidade escolhe a pessoa

Padronizar seleção em rede costuma travar num medo: o de tirar do gestor local a decisão de escolher quem trabalha com ele. É o medo certo, e por isso a divisão correta não é centralizar tudo na matriz nem deixar a unidade improvisar. A matriz define o cercado, a unidade decide dentro dele.

Fica com a matriz, igual para toda a rede: as etapas do funil e a ordem delas; o roteiro de entrevista por cargo, com as perguntas obrigatórias; os requisitos duros que eliminam candidato antes da conversa; a faixa salarial por cargo; o prazo de devolutiva ao candidato, que é marca da empresa em qualquer unidade.

Fica com o gestor da unidade: aprovar quem passa em cada etapa; a agenda das entrevistas; o ajuste fino de jornada e turno; a palavra final sobre quem entra. Quem trabalha na unidade decide quem trabalha na unidade, em critérios que a rede consegue defender.

Os três números que fazem a rede enxergar

Processo comum só prova que funciona com métrica comum. Três números por unidade, medidos do mesmo jeito, mudam a reunião mensal de RH: tempo médio para fechar vaga, origem dos contratados e turnover de 90 dias por contratação. Com os três na mesa, a pergunta da diretora vira consulta, não debate. A unidade 7 com turnover dobrado e vagas 40% mais demoradas conta uma história; a mesma unidade com números parecidos e turnover alto conta outra, e o plano de ação é diferente para cada uma.

A entrevista padronizada ajuda ainda na distância: o mesmo roteiro aplicado em nove unidades, com registro, permite comparar candidato a candidato. Quando a conversa precisa ser remota, a entrevista gravada e transcrita cumpre o mesmo papel com auditoria de qualidade, já que o registro fica disponível para quem avalia depois.

Admissão e primeiro dia também são da rede

Padronizar a seleção e estranhar o primeiro dia não fecha o ciclo. O checklist de admissão e o roteiro do dia 1 seguem a lógica da seleção: mesma documentação, mesmo roteiro de recepção, treinamento de cargo igual, com o toque local do gestor. O guia de admissão e primeiro dia traz o esqueleto. E depois de padronizar, registre: processo que existe só na cabeça de quem montou recria o problema, como vimos no post sobre processo seletivo que não depende de uma pessoa só.

Exceção que confirma: cargo sênior flexiona formato, não regra

Padronizar não significa tratar vaga de atendente e vaga de coordenador com o mesmo funil. Cargo de liderança e posição técnica sênior aceitam etapa a mais, case mais longo, conversa com diretoria. O que não flexiona em cargo nenhum: o roteiro comparável entre candidatos da mesma vaga, o prazo de devolutiva e o registro da decisão. A rede pode ter dois ou três formatos de funil por senioridade; não pode ter nove formatos por geografia.

Esse desenho também resolve a objeção da matriz sobrecarregada. Padronizar seleção não é trazer toda decisão para o escritório central; é definir uma vez o que protege a qualidade e medir o resultado. O trabalho central passa a ser conferir padrão e ler números, trabalho de horas, e o volume de decisão fica onde a vaga acontece.

Por onde começar na semana que vem

  1. Inventarie como cada unidade contrata hoje: etapas, quem entrevista, quanto tempo demora, o que fica registrado. O mapa da bagunça é metade do argumento com os gerentes.
  2. Escolha um cargo, o de maior volume: atendente, vendedor, repositor. Padronização se prova onde dói, e volume é onde dói.
  3. Feche com os gerentes o funil desse cargo: etapas, roteiro de entrevista, requisitos duros, faixa salarial, prazo de devolutiva. Escreva em uma página, uma página só.
  4. Rode trinta dias em todas as unidades com aprovação do gestor em cada etapa, e meça os três números em cada porta.
  5. Ajuste e expanda para o próximo cargo: a segunda padronização usa a primeira como referência, e a página de processo vira padrão da rede.

Trinta dias depois do primeiro cargo padronizado, a reunião de RH muda de tom: a conversa sai do “achamos que a unidade 7 contrata mal” e chega no “a unidade 7 aprova candidato em quatro dias e retém; a unidade 2 leva vinte e um e sangra”. Diferença assim se resolve com processo, e é o tipo de problema que rede resolve uma vez e colhe em todas as portas.

Um processo, nove portas

A parte de circo da padronização, conferir etapa por etapa em nove unidades, cobrar prazo de devolutiva, consolidar os números, é fluxo e registro: software resolve. No mesmo funil, com etapas e aprovações por gestor em cada unidade, a matriz vê o todo e cada gestor decide o seu, com o candidato recebendo retorno no mesmo prazo em qualquer porta da rede. A escolha segue com o RH e com o gestor local, com critério à frente. Quero padronizar a seleção da minha rede.

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Escrito porBlog Tunni

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